terça-feira, 7 de dezembro de 2010

C.L.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."

Clarice Lispector
A hora da estrela, pág. 21

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